Alunos do Colégio Ideal realizam produções científicas

A região amazônica abriga cerca de 10% de toda diversidade de seres vivos existentes no planeta. Sem contar os microrganismos, de grande interesse para a indústria de biotecnologia, cuja variabilidade está na casa dos milhões. Tamanha biodiversidade é a temática central do Prêmio José Márcio Ayres (PJMA) para jovens naturalistas promovido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPGE) e pela Conservação Internacional (CI).

Os alunos do Grupo Educacional Ideal Denner Ferreira, da 7ª série do Ensino Fundamental (Ideal Cidade Nova), e Wescley Pereira, do 3º ano do Ensino Médio (Ideal Batista Campos), aceitaram o desafio proposto pelo concurso. Leram livros, visitaram casa de ribeirinhos, observaram determinadas espécies, entrevistaram pessoas de todas as idades, sondaram hábitos populares, formularam hipóteses, fizeram testes, avaliaram resultados, tiveram conclusões, escreveram suas experiências e as defenderam frente à banca de especialistas.

“Açaí: vitamina de cada dia no município de Igarapé-Miri (PA)” foi o trabalho elaborado pelo aluno Denner Ferreira e orientado pela professora Andrea Almeida, que conquistou o 3º lugar na categoria Ensino Fundamental. O tema açaí foi decidido após uma viagem que ele tinha feito com a família até o município de Igarapé-Miri, pólo de produção do fruto, para dar maior sustentação a sua pesquisa. Vivaz, o jovem afirma que pretende dar prosseguimento a seu estudo já que é bastante interessado em frutos amazônicos.

Já o estudante Wescley Pereira, que participou pela terceira vez do prêmio, investigou “os atributos dermatológicos do muco da lesma aplicado em seres humanos” sob orientação da professora Patrícia Calandrini de Azevedo e foi agraciado pelo 2º lugar na categoria Ensino Médio. O jovem pesquisador se interessou pelo assunto quando leu uma reportagem sobre o uso de certos moluscos ao combate à rugas. Ele, então, resolveu pesquisar as propriedades medicinais da lesma, cujo uso, sua avó, interlocutora assídua do jovem, já havia citado em conversas anteriores.

Wescley conta que com a pesquisa pôde aprimorar o conhecimento científico através do conhecimento tradicional amazônico. Ele estudou o método utilizado em comunidades tradicionais para extrair a substância produzida pela lesma em situações de estresse. O estudante já foi premiado com o 1º lugar da região norte pela Olimpíada de Meio Ambiente e Saúde (OBSMA) e almeja seguir a carreira de pesquisa médica nas áreas de dermatologia e endocrinologia.

Além de premiar os vencedores com coleções de livros e importâncias em dinheiro, o concurso José Márcio Ayres incentiva a iniciação científica através da curiosidade e da dedicação dos alunos paraenses.

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